IDADE MEDIA*
O atual império das reproduções eletrônicas de imagens nos sistemas comunicativos, nos dá uma falsa impressão de que o rádio é um meio de comunicação inferior e que já haveria alcançado uma situação limite. No entanto, "a todo instante temos observado o desenvolvimento de novas áreas da produção artística onde experiências inovadoras no trato de novas ficções e novos ritmos, novos temas e novo tratamento do tempo radiofônico têm apontado para um outro modo de se pensar e se fazer rádio” (Bauab, 1990). Produções radiofônicas surpreendentes são criadas a todo instante na tentativa de atualizar o rádio para o desenvolvimento de outras linguagens como a literatura, o cinema e a música, proclamando o nascimento de uma linguagem singular, uma manifestação de natureza sonora, com intenções dramatúrgicas.(Bauab, 1990)
As possibilidades de fusão entre gêneros e técnicas, (re-)mixagens, colagens, justaposições e outras modalidades, através da estereofonia, descortina à peça radiofônica uma variedade de possibilidades no campo da arte cênica, aliada ao uso da técnica radiofônica. IDADE MEDIA - Edição Digital é a busca pela criação de um "espaço acústico mental", da equação entre música + cérebro até ( = ) o êxtasse. E o RÁDIO, portanto, é o vetor (o meio) para se alcançar o desenvolvimento de muitas e novas formulações (desconhecidas possibilidades, outros estilos e, por que não, distintas "visões" aplicadas ao veículo).
IDADE MEDIA é forçar a interdisciplinariedade sonora frente ao mundo veloz do império das imagens, rumo à uma nova forma de comunicação e uma nova formulação artística a ser estabelecida - do espaço aéreo das ondas do rádio, ao espaço físico de uma instalação ambiental, ao espaço imaginário da capacidade mental.
Esta é a era que vos anuncio: a “IDADE MEDIA”, buscando a formação de uma rede invisível (e, contraditoriamente, "silenciosa") de criadores acústicos, "caçadores perdidos do som" e artistas ligados ao mundo pelo ouvido!
Música concreta, eletrônica ou eletroacústica; hörspiel e neue hörspiel alemão; poesia concreta e sonora; text-sound, literatura acústica e livro falado; documentários e features; paisagens e esculturas sonoras; sound design, electro clips e áudio-collage, o que for!!! O som que, em toda sua natureza volátil, primeiro desvelou o tempo e o espaço para afirmá-los como corpos sólidos, agora ressoa por infinitos universos e mentes. Realiza seu atributo último: o Som como Utopia (gr. ou + tópos = aquilo que não existe em lugar algum) da Ubiquidade (lat. ubique = em toda parte).